Confira dados do Relatório Reuters de Jornalismo 2017

O relatório Reuters de Jornalismo deste ano ocorre no meio da preocupação mundial em relação às notícias falsas e também com avanços em plataformas como Facebook que estão preocupadas em entregar conteúdo responsável e de qualidade para os seus usuários.

Com dados que abrangem mais de 30 países e cinco continentes, esta pesquisa é um lembrete de que a revolução digital está cheia de contradições e exceções

Confira algumas das principais conclusões da pesquisa de 2017 de acordo com o portal de conteúdo Monetização:

O crescimento nas mídias sociais de notícias está aplanando em alguns mercados, pois aplicativos de mensagens que são (a) mais privados e (b) tendem a não filtrar conteúdo algorítmicamente estão se tornando mais populares. O uso do WhatsApp para notícias está começando a rivalizar o Facebook em vários mercados, incluindo Malásia (51%), Brasil (46%) e Espanha (32%).

Apenas um quarto (24%) dos nossos entrevistados pensam que as redes sociais fazem um bom trabalho para separar o fato da ficção, em comparação com 40% para os meios de comunicação. Nossos dados qualitativos sugerem que os usuários sentem que a combinação de uma falta de regras e algoritmos virais encoraja a baixa qualidade e as “notícias falsas” a se espalharem rapidamente.

Existem grandes variações de confiança nos 36 países. A proporção de quem diz confiar na notícia é mais alta na Finlândia (62%), mas é menor na Grécia e Coréia do Sul (23%).

Na maioria dos países, encontramos uma forte conexão entre a desconfiança na mídia e o viés político percebido. Isto é particularmente verdadeiro em países com altos níveis de polarização política, como os Estados Unidos, a Itália e a Hungria.

Quase um terço da nossa amostra (29%) dizem que muitas vezes ou às vezes evitam as notícias. Para muitos, isso é porque pode ter um efeito negativo sobre o humor. Para outros, é porque não se pode confiar se as notícias são verdadeiras.

Acesso móvel, está superando o acesso pelo computador para notícias em um número crescente de países. As notificações de notícias móveis cresceram significativamente no último ano, especialmente nos EUA (+8 pontos percentuais), Coréia do Sul (+7) e Austrália (+4), tornando-se uma nova rota importante para o conteúdo e dando uma nova vida para os aplicativos de notícias.

Em um desenvolvimento relacionado, houve um crescimento significativo nos agregadores de notícias móveis, notadamente Apple News, mas também o Snapchat Discover para públicos mais jovens. Ambos duplicaram o uso com seus grupos-alvo no último ano.

Os smartphones agora são tão importantes para as notícias dentro de casa quanto fora. Mais usuários de smartphones agora acessam notícias na cama (46%) do que usam o dispositivo quando se deslocam para o trabalho.

Assistentes digitais ativados por voz como o Amazon Echo estão emergindo como uma nova plataforma para notícias, já superando os smartphones nos EUA, Reino Unido e Alemanha.

Em termos de assinaturas de notícias on-line, vimos um “Boom de Trump” muito substancial nos EUA (de 9 a 16%), juntamente com uma triplicação de doações para noticiários. A maioria desses pagamentos novos veio dos jovens — uma correção poderosa para a idéia de que os jovens não estão preparados para pagar por mídia on-line, e muito menos notícias.

Em todos os países, apenas cerca de um em dez (13%) paga por notícias on-line, mas algumas regiões (Nordics) estão se saindo muito melhor do que outras (Europa do Sul e grande parte da Ásia).

O crescimento do bloqueio de anúncios está paralisado na área de trabalho (21%) e permanece baixo nos smartphones (7%). Cerca de metade diz que desativa temporariamente o bloqueador de anúncios para notícias em países como Polônia (57%), Dinamarca (57%) e Estados Unidos (52%).

Temos novas evidências de que as marcas de notícias podem estar lutando para lidar com plataformas distribuídas. Em um estudo de rastreamento de mais de 1.500 entrevistados no Reino Unido, descobrimos que, enquanto a maioria conseguiu se lembrar do caminho através do qual eles encontraram uma notícia (Facebook, Google, etc.), menos da metade poderia recordar o nome da própria notícia quando proveniente de buscadores (37%) e social (47%).

Os austríacos e os suíços estão mais interessados ​​em jornais impressos, alemães e italianos adoram noticiários de TV, enquanto os latino-americanos recebem mais notícias através de mídias sociais e aplicativos de bate-papo do que outras partes do mundo.

Conclusão

O jornalismo está sendo atingido por forças que vem construindo há algum tempo, mas o ano passado viu essa história sair da bolha da mídia para atrair a atenção dos formadores de opinião, políticos e mesmo do público em geral. A notícia em si tornou-se a notícia.

Fonte: Conteúdo originalmente publicado no portal Monetização.

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